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Destaque 04 · 28 de julho de 2025

BRANW: arte que atravessa, comunica e lapida

“Sou o que sinto, sinto o que produzo”

Branw — arte que atravessa, comunica e lapida

“Sou o que sinto, sinto o que produzo”.

Saudações! Boas Vindas!! Este espaço é público e gratuito. A Campanha de Financiamento Coletivo da REDUAU apoia a continuidade deste trabalho. Se você chegou aqui é porque soma com nossa caminhada, então queremos agradecer por fortalecer cada passo. Você faz parte dessa construção de todas as maneiras possíveis. Obrigado por somar e edificar junto com a gente!

O Boletim REDUAU surge com a necessidade de falar por nós mesmos, tendo nossa história contada com nossa visão. O objetivo é dar destaque aos trabalhos que dialogam com a nossa construção. Sem mais demora, vamo ao destaque que separamos pra essa semana.

Em cada traço que compõe seu trabalho, Branw nos oferece uma chave de acesso a outras camadas da existência. Seu processo criativo não parte de um molde estético, nem de uma fórmula pré-definida. Parte do sentir. Do corpo. Da ancestralidade que pulsa como energia viva em sua expressão.

Seu trabalho se define em três palavras que, por si só, já dizem muito: Extensão. Constante. Político. Extensão porque transborda — da artista para o mundo, do íntimo para o coletivo. Constante porque está sempre em movimento, acompanhando as transformações da vida. Político porque não se descola do contexto, da realidade, do atravessamento dos corpos Negros nesse mundo.

Mas há algo mais. Há um gesto de inteireza rara no que ela produz. “Sou o que sinto, sinto o que produzo”, nos conta. E isso muda tudo. Aqui, arte não é uma fuga. É presença. É coragem de se expor. Sem filtros, sem moldes, sem a necessidade de se encaixar em “rótulos criativos”. A obra de Branw é, portanto, um prolongamento de sua própria existência — lapidada com firmeza, sensibilidade e consciência ancestral.

Branw, artista visual de Taboão da Serra (SP)

“Lapidar sua existência te torna pragmático em sua produção.” Essa afirmação não vem da teoria, mas da prática de quem faz da Arte um campo de encontro. Um lugar onde trajetórias podem ser contadas por novos ângulos, com uma linguagem questionadora, abstrata e, ao mesmo tempo, visceral.

O objetivo maior do seu trabalho é justamente esse: comunicar sensações e trajetórias de forma sucinta, sob um ponto de vista diferente, que instiga e movimenta. Uma arte que se aproxima de quem pensa, sente e sonha outro mundo possível — e que encontra nos caminhos da expressão visual uma forma de existir com mais verdade.

Não é à toa que a identificação com sua obra acontece de forma tão orgânica. Outros corpos sensíveis se reconhecem nos seus traços, nas suas composições, nas perguntas que ela faz sem precisar escrever. Nesta semana, temos a honra de destacar essa potência visual no Boletim REDUAU. A obra de Branw é presença viva de uma arte que comunica não só o que se vê, mas o que se sente. E como ela mesma nos disse: “A introspecção sozinha não basta. É necessário expor — sem moldes — o que minha energia fala e transcende.” Estamos aqui para ver/ouvir/sentir.

Obra de BranwObra de BranwObra de BranwObra de Branw

Perguntas

Na REDUAU, acreditamos que toda criação nasce de um centro — e que esse centro é a própria pessoa. É por isso que, ao destacarmos um projeto, queremos também honrar a história, o sentir e a energia de quem o constrói.

Nosso objetivo vai além de divulgar trabalhos potentes. Queremos incentivar o autoconceito holístico: um olhar amoroso, profundo e completo sobre quem somos e o que manifestamos no mundo. Ver-se como corpo, mente, Espírito e memória em movimento. Olhar para sua própria obra com afeto, verdade e consciência.

Foi com esse cuidado que construímos esta sessão. As perguntas que fazemos aqui não buscam performance — mas presença. Nesta edição, quem compartilha sua visão é a artista Branw. Com sua linguagem visual sensível e desobediente, ela nos ensina que comunicar sensações também é um gesto político, ancestral e necessário.

Irmã, se você pudesse definir seu trabalho em uma a três palavras, quais seriam?

Extensão, Constante, Político.

O que você gostaria que mais pessoas soubessem ou entendessem sobre você e seu trabalho?

Tenho 27 anos e resido na Zona Sul de São Paulo, mais especificamente em Taboão da Serra. Lugar onde a cultura resiste e se propaga de forma autônoma desde que me reconheço por gente. Meu trabalho permeia a arte no geral, como música, pintura e graffiti. A arte sempre esteve comigo, seja em forma de música, desenho ou as cantorias da minha mãe. Isso foi a forma que minha mãe encontrou de fazer com que eu e meu irmão mais velho não sentíssemos as dificuldades que passávamos, como a falta de alimentação nessa época. Quando não tinha nada nem ninguém, nós cantávamos Djavan e desenhávamos juntos por muito tempo. Costumo dizer que meu trabalho é totalmente selvagem e primitivo; a singularidade de passar sentimentos de criança pra uma tela ou graffiti é muito mais do que só pintar. Relembro, entendendo, me acho, posso me esconder e criar novas possibilidades pintando. Eu não sou um indivíduo separado das criações, eu sou elas em carne e osso; talvez a diferença é que na pintura eu seja um mistério mais exposto. Acredito que minha luta seja explorar o corpo celeste que sou e fazer com que minha comunidade sinta esse desejo e questione sua própria existência, retomando sua consciência Afrikana por direito. Tudo começa por mim, e tudo faz parte do todo. Lapidar sua existência te torna pragmático em sua produção. Não deixando de lado nem separando como coisas distintas em alter-egos: sou o que sinto, sinto o que produzo, sem molde, dentro da energia Ancestral.

Qual o maior objetivo do trabalho?

O maior objetivo do meu trabalho é poder comunicar sensações e trajetórias de forma sucinta, de um outro ponto de vista, um ângulo diferente, questionador e abstrato. Apenas pensando dentro de uma introspecção não surte efeito; é necessário expor sem moldes o que minha energia fala e transcende. Onde, na maioria das vezes, existe uma identificação com outros corpos pensantes e questionadores.

A presença da Branw neste Boletim nos lembra que Arte é sentido, é corpo em linguagem, é espiritualidade em movimento. Vai muito além da forma. Que a potência do seu trabalho inspire outras pessoas Pretas a olharem com mais carinho e profundidade para suas próprias trajetórias. Se conhecer também é criar. E criar, pra Nós, é um caminho de libertação. A REDUAU segue como espaço de troca, memória e fortalecimento. Obrigado por se fortalecer com a gente.

Campanha de Financiamento Coletivo

Esse trabalho foi feito com muito carinho e dedicação para nossa comunidade. Esperamos poder contribuir com a circulação de trabalhos potentes como o da Branw, com o máximo de respeito. Juntos, já tiramos as ideias do papel e estamos construindo essa biblioteca única! Bora fazer a campanha circular e chegar em mais Irmãos e Irmãs que precisam conhecer. Com cada contribuição, você se torna parte essencial desse trabalho, ajudando a erguer um espaço que preserva e espalha as vozes, histórias e conhecimentos do continente afrikano e sua diáspora.

Obrigado. Até a próxima!!